"Uma fotografia em preto e branco, uma rosa com pétalas perdidas,
um aparelho portátil de CD. O lustre da sala iluminando os três objetos
solitários no centro da mesa para que o cansaço
não desviasse a sua atenção. Ela ainda procura um bilhete.
Mas já sabe que não encontrará nenhuma palavra.
Apenas canções.
Por isso, abre a janela, deita o corpo sobre o sofá e coloca os fones de ouvido."
André Takeda, no texto "A estréia de uma despedida" - www.violins.com.br

"E o que esperam de você
Se você se expõe assim?"

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Onze Dias (Meu antigo blog)





Sexta-feira, Janeiro 27, 2006


Teve uma época em que eu achei que estava crescendo. E cheguei à conclusão de que crescer dói muito. Tenho a impressão de dói como quando um animal é obrigado a trocar de pele. Imagina você tendo que sair de dentro desta carcaça que é o seu corpo para ter que assumir um corpo novo. Imagina como isso deve doer!

De certa forma é assim que acontece quando a gente tá crescendo. Talvez as mudanças no corpo não sejam tão significativas, mas tudo bem, elas não são verdadeiramente importantes. Por isso que dói tanto, porque as mudanças acontecem na parte de dentro. E, às vezes, a gente tá tão despreparado (como eu sempre acho que estou), que sente mais dor do que deveria, até aprender a lidar com as novas situações.

Eu ainda não tenho plena certeza, mas acho que no final de tudo o saldo talvez seja positivo. Porque, querendo ou não, a gente aprende a enfrentar um monte de coisas, as quais outrora eram temidas.

E é assim que eu ando me sentindo. Tudo que eu achava que tinha crescido naquela época é muito pouco perto do que cresci nesses últimos meses. Ainda sinto muito medo, às vezes ainda me vejo sozinha, perdida, mas hoje eu vejo que aquilo não era nada, que a vida tava só preparando o terreno pra bater mais e mais e me ver levantar.

Amar é muito bom, mas a gente não sabe exatamente o que é amar até encontrar um amor de verdade. Até ser aceita. Até ser amada. Aí sim a gente descobre qual é o verdadeiro sentido do amor. E, acredite, o amor não é um sentimento assim tão pleno de felicidade como pregam por aí. Quando você abre as portas para o amor ele traz um monte de coisas. Ele te faz aprender a ser mais tolerante, a respeitar mais as pessoas próximas, a aceitar que você tem mais defeitos do que você imagina e, principalmente, que mais do que sermos aceitos, nós precisamos aceitar as pessoas do jeito que elas são. Até os valores mudam. E a gente acaba renunciando a algumas coisas que a gente antes achava que eram essenciais.

A vida é assim, feita de escolhas. E, como diz o Chorão, cada escolha uma renúncia. Você é quem escolhe como, quando e onde vai viver. Eu escolhi ser amada. Amo, sou feliz, mas também sinto um pouco de dor. Mas eu vivo o que eu escolhi pra mim. Dificuldades existem? Sim, aos montes. Mas nem por isso você deve abrir mão de viver, você só precisa saber o que realmente quer e tentar aprender a lidar com isso. Caso contrário, o sofrimento será constante.

Em tempo, meu fotolog acaba de ser atualizado. Para ver, clique aqui.


"Eu me entreguei" às... 5:15 PM

"Deixe o amor fluir..." (comente)

Segunda-feira, Janeiro 23, 2006


São Paulo, 21 de janeiro de 2006.

São exatamente 23h50. Faltam dez minutos para o dia em que completo 26 anos.

Eu não aprendi muita coisa nessa vida. Mas aprendi algumas coisas que fazem de mim quem eu sou. Boa ou má, gorda ou magra, sã ou louca, essa sou eu, a Patricia que você conhece.

Mas longe de mim querer ficar aqui divagando sobre quem eu sou ou deixo de ser, ou ainda sobre quem eu vou me tornar um dia.

Quando aos meus 26 anos, mais prático é fazer um pequeno "SOBE/DESCE". Então aí vai:

SOBE

- Eu tenho um grande amor;
- Os Beatles são a melhor banda do mundo;
- Eu amo a minha mãe, o meu pai e os meus irmãos;
- "Let it be... Naked" ´um dos meus discos prediletos;
- Estou aprendendo a tocar guitarra;
- E, ao que parece, finalmente vou realizar o meu sonho de ter uma banda;
- Fiz as pazes com a minha mãe;
- Meu anjo dourado não esqueceu do meu aniversário;
- Meu pai também não.

DESCE

- Eu continuo frustrada com o meu emprego;
- A dureza de sempre;
- As dívidas só aumentando;
- Meu irmão desempregado de novo e eu sem poder nada pra ajudar;
- Minha casa parece ter sido invadida por todas as formigas desse mundo.

Saldo positivo. É isso aí.


"Eu me entreguei" às... 9:36 AM

"Deixe o amor fluir..." (comente)

Quinta-feira, Janeiro 05, 2006


"Eu voltei, agora para ficar
Porque aqui, aqui é o meu lugar..."


Há um ano eu registrei aqui que 2005 definitivamente seria o ano da virada, da minha virada...
Hoje eu sinto até uma dificuldade pra expor tudo aqui, depois de tanto tempo sem escrever. Será que eu consigo relatar tudo o que gostaria? Enfim, não custa tentar...

A primeira coisa, da qual eu tenho certeza, é que nunca mais quero ficar tanto tempo sem postar aqui. Ultimamente não tem me sobrado muito tempo, mas eu prometo que vou tentar.

Mas voltando à retrospectiva, digamos que eu acertei em cheio quando apostei que 2005 mudaria a minha vida (devia ter jogado na Quina naquele dia...).

Só pelo fato de ter saído da faculdade o ano passado para mim já seria diferente. Eu precisava buscar novos caminhos para suprir a falta que a faculdade me faria. Pensei em um monte de coisas e acabei optando por estudar inglês, mas não sei direito porque não deu certo. Talvez por esse não ser o caminho ideal, não é?

Então eu decidi mudar de casa, ou melhor, sair da casa da minha mãe. Decidi morar só para ter o meu próprio espaço. Ter responsabilidades que fossem só minhas. Ter uma TV só pra mim.

Mas é como dizem por aí, se uma coisa não tem que ser, não é... Se ficar sozinha era exatamente o que eu queria, eu não queria com tanto afinco assim... Isso porque a minha casa foi literalmente invadida por aquele que se tornaria o meu namorado e em seguida meu marido, ou seja, o amor da minha vida.

Se eu achava que para crescer precisava caminhar sozinha pela vida, estava enganada, eu precisava de um grande amor. Precisava do meu amor. Tá, eu admito que você tinha razão quando me dizia que era só esperar, que ele ia aparecer mais cedo ou mais tarde.

Foi com ele que eu aprendi o que é amar de verdade alguém e também o que é ser amada de verdade. Aprendi como é bom ter alguém do nosso lado, seja para ser feliz ou pra passar dificuldades. Aprendi o que é a responsabilidade de um casamento, que a cerimônia ou o registro em cartório é um mero detalhe perto de tudo que a gente vive debaixo daquele teto.

Ganhei outros valores, descobri que eu posso sim ser uma dona de casa pra lá de prendada. Que eu cozinho melhor do que eu poderia imaginar e, o melhor, que meu amoreco gosta da minha comida. Experimentei, pela primeira vez, a sensação de sair do escritório e voltar correndo pra casa por ter um motivo realmente forte pra isso.

Descobri que tudo que eu havia chorado até hoje não seria o suficiente pra demonstrar a dor de perder o grande amor da minha vida. Que nunca mais quero passar por aquilo de novo. Uma dor como aquela não se suporta duas vezes na vida.

Percebi como a inveja e a cobiça são duas coisas fedorentas. Fiquei triste por saber que as pessoas podem mais falsas do que elas mesmas podem imaginar. È incrível a capacidade do ser humano para isso.

Aprendi que é mais fácil do que se imagina magoar uma pessoa, principalmente aquelas as quais agente mais ama, as mais importantes na nossa vida. Por inúmeras vezes eu fiz isso, mesmo que a intenção fosse justamente o oposto. E ainda não aprendi como consertar certos erros, como reparar certos danos.

Comecei a fazer os meus primeiros acordes numa guitarra. Aliás, ganhei a minha primeira guitarra.

Descobri que a voz mais linda desse mundo é a da Mariah Carey.

Percebi que eu tenho mais potencial do que eu imagino.

Cresci, virei uma mulher. Sofri um pouquinho, chorei bastante e, principalmente, descobri o verdadeiro sentido da palavra felicidade. Nem todos os planos foram realizados, nem tudo está resolvido, mas agora eu tenho mais coragem para ir atrás do que eu preciso.

É isso.

FELIZ 2006!


"Eu me entreguei" às... 5:28 PM

"Deixe o amor fluir..." (comente)